14 de outubro de 2007

Ainda sobre a Caixa II




Caixas reúnem obra de Roberto Carlos em espanhol

"Esta es una de las muchas historias que suceden conmigo." O sotaque é tosco, mas a frase que introduz "O Calhambeque", inconfundível. A versão "Mi Cacharrito" foi um dos primeiros sucessos de Roberto Carlos em espanhol.

Curiosamente, essa verdadeira carreira paralela do Rei foi até hoje bem pouco observada por fãs, críticos e biógrafos brasileiros. Agora, a Sony BMG lança pela primeira vez aqui a obra completa do Rei na língua de Cervantes. Trata-se de um pacote de 22 discos, com as capas originais, em duas caixas. A primeira, que cobre o período de 1965 a 1981, saiu em setembro, e a segunda, de 81 em diante, chega às lojas no próximo dia 20.

Todos os álbuns foram produzidos para o mercado internacional. No Brasil, só podiam ser encontrados em sebos e custavam uma fortuna.

A primeira investida de Roberto no exterior aconteceu em 1965, quando lançou "Roberto Carlos Canta a la Juventud", uma versão do álbum "É Proibido Fumar", que saíra aqui no ano anterior. O disco seria o primeiro e único do conjunto em espanhol a ter tantos ecos da jovem guarda. A partir de então, Roberto passou a delinear, para o exterior e para o Brasil, uma imagem de cantor romântico por excelência.

Sua grande virada internacional aconteceu no ano de 1968, quando venceu o Festival de San Remo, na Itália, com "Canzone per Te", de Sergio Endrigo e Sergio Bardotti.

"Foi a partir desse êxito que se deu tanto o aprofundamento da veia romântica no Brasil como o início do flerte com o romantismo à moda latina. Àquela altura, ele já havia esquecido o rock'n'roll e pendia para o romantismo mais desbragado, fosse em português, italiano ou espanhol", diz o crítico Pedro Alexandre Sanches, autor de "Como Dois e Dois São Cinco".

Para o pesquisador e coordenador do projeto, Marcelo Fróes, a ausência da jovem guarda no repertório internacional do Rei deve-se ao fato de esta ter sido um fenômeno local. "A jovem guarda foi um movimento nacional, a nossa Beatlemania. Cada país teve a sua. Roberto sagrou-se internacionalmente como cantor romântico", diz.

Até 1976, os discos eram uma espécie de miscelânea de canções atuais e antigas, com a evidente preocupação de apresentar um pot-pourri do universo de Roberto, com capas diferentes das brasileiras. Daí em diante, o sucesso foi tamanho que os discos em espanhol passaram a trazer praticamente o mesmo repertório e as mesmas capas das versões em português.

À época, o cantor lançava o disco brasileiro no Natal e, no primeiro semestre do ano seguinte, saía o disco internacional e começava a turnê. Roberto tem álbuns editados nos cinco continentes. É também curioso notar que, no YouTube, os primeiros clipes a surgirem quando se digita "roberto carlos" no campo de busca são justamente os dos sucessos hispânicos ou italianos.

O espanhol deu a Roberto um Grammy e um espaço na Calçada da Fama, em Miami, mas o cantor nunca pareceu estar à vontade nesse idioma. Nos primeiros álbuns, as interpretações são bem básicas e há muita formalidade nas traduções, em sua maioria realizadas por um casal de amigos norte-americanos do cantor, Buddy & Mary McCluskey. Momentos como a canção "Una Palabra Amiga" beiram o constrangedor ("Necesito de usted/El momento de hablar que será mejor usted cambiar").


"Carnavalito" e boleros


Com o tempo, o sotaque vai melhorando e a interpretação vai ficando menos contida. Mais à vontade, ele começa a incluir músicas de vários gêneros latino-americanos.

É o caso do "carnavalito" andino "El Humahuaqueño" ou do tango "El Dia que me Quieras", além de boleros e alguns clássicos do cancioneiro romântico mexicano.

"Roberto foi gradativamente se preocupando mais com uma integração com a América Latina. Em meados dos anos 70 essa foi uma onda forte na MPB, apanhando Elis Regina, Milton Nascimento, Fagner, Ney Matogrosso e outros. Roberto abriu alas para essa turma e sempre foi o mais intenso e o mais constante nesse esforço", diz Sanches. "Existia uma utopia latino-americana na MPB daquele momento. É muito simbólico o fato de ter sido Roberto, tão freqüentemente tido como brega e/ou americanizado, o artista que peitou a continuidade para reafirmar a identificação entre a latinidade em espanhol e a latinidade em português", conclui.


ROBERTO CARLOS PRA SEMPRE EM ESPANHOL
Gravadora: Sony/BMG
Quanto
: R$ 310, em média (cada caixa com 11 discos)

Um comentário:

  1. Realmente é um verdadeiro presente essa coleção BOX PRA SEMPRE. Já comprei o BOX EM ESPANHOL VOL 2. Pena que no BOX DÉCADA DE 80, não está presente a música " O CARETA" de 1987.

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